Com aumento de custos e queda na rentabilidade, saúde suplementar enfrenta desafios financeiros em 2026

Com aumento de custos e queda na rentabilidade, saúde suplementar enfrenta desafios financeiros em 2026

Dados da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) indicam que uma em cada quatro operadoras de planos de saúde apresenta resultado líquido negativo, mesmo após sinais de recuperação observados no período pós-pandemia.

Conforme levantamento da FenaSaúde, o cenário macroeconômico tem pressionado o setor. No primeiro trimestre de 2025, 31,7% das operadoras (202 empresas) registravam resultado operacional negativo. Esse número avançou para 49,2% (315 operadoras) no período mais recente analisado.

Ao todo, 8,65 milhões de beneficiários estão vinculados a operadoras com resultado operacional negativo, o que evidencia a dimensão do desafio financeiro enfrentado pela saúde suplementar no país.

Saúde suplementar: Lucro e margem em queda

O desempenho econômico das operadoras médico-hospitalares também apresentou retração. O lucro líquido recuou 14,1% em relação ao trimestre anterior, passando de R$5,5 bilhões para R$4,8 bilhões. A margem de lucro acompanhou essa tendência e caiu de 6,7% para 5,6%.

Outro indicador relevante, de acordo com o portal Saúde Business,  é o índice combinado, que representa a relação entre as despesas operacionais, administrativas, comerciais e assistenciais, além das receitas das contraprestações efetivas. O índice subiu 1,1 ponto percentual, passando de 94,2% para 95,3%, sinalizando maior pressão dos custos sobre as receitas.

Custos assistenciais pressionam resultados

Segundo informações da FenaSaúde, um dos principais fatores que impactam o desempenho das operadoras é o crescimento dos custos assistenciais, impulsionado pelo envelhecimento da população, pelo aumento da demanda por tratamentos mais complexos e pelo uso crescente de tecnologias avançadas. Esse movimento contribui para a redução da rentabilidade e reforça os desafios de sustentabilidade financeira do setor.

Para Bruno Sobral, diretor-executivo da FenaSaúde, a saúde suplementar é um ambiente complexo e sua condição econômico-financeira é essencial para o equilíbrio do sistema de saúde brasileiro. De acordo com ele, o desafio em 2026 é ampliar o acesso de forma responsável, garantindo que a incorporação de novas tecnologias não comprometa a sustentabilidade do setor, especialmente em pequenas cidades e regiões mais vulneráveis.