Psicoacústica: saiba mais sobre a percepção sonora humana

Ouvir é um dos sentidos básicos da espécie humana. Seja para apreciar uma música, para perceber os estímulos do ambiente ao nosso redor e captar distâncias: a audição é um sentido complexo e fascinante, existindo, então, a psicoacústica.

Pois bem, a psicoacústica é uma área dentro da Psicofísica que estuda as características do som e a sensação auditiva que ele provoca. Ou seja: essa área também investiga as respostas psicológicas associadas ao som. 

Por exemplo: ouvir uma música que te marcou em um bom momento da vida pode te provocar boas sensações, saudade e até nostalgia. 

E o contrário pode ocorrer: se você tiver ouvido essa mesma música em um momento difícil, a experiência de ouvi-la pode trazer emoções mais desafiadoras como tristeza, medo e raiva. 

Desta forma, a psicoacústica evidencia a relação entre a audição e as sensações de conforto e bem-estar. A seguir, descubra mais sobre essa área!

Sonoridade

Esse conceito se refere a tudo aquilo que produz som ou lhe dá qualidades. 

A sonoridade possui algumas características básicas como o limiar auditivo, que corresponde ao nível mínimo de pressão acústica eficaz e exigida para provocar uma sensação auditiva em um ambiente silencioso. 

Esse limiar não é definido universalmente e varia de acordo com o ouvinte e a frequência do som. Outra característica é o limiar de desconforto. Para cada frequência, existe um limiar de desconforto referente ao mínimo de pressão acústica eficaz para produzir desconforto.

Por fim, a sonoridade também é definida pelos limiares, que podem ser considerados normais (ou seja, correspondem ao valor médio dos limiares de conforto e desconforto de um grande número de normo-ouvintes).

Percepção do som

A percepção auditiva é a interpretação e a associação que o nosso cérebro realiza para compreender o ambiente em que estamos. Isso já ocorre no ventre durante a gestação. 

Entre o terceiro e o sexto mês da gravidez o feto já começa a estabelecer seus primeiros contatos sensoriais com o mundo externo. Um desses contatos é justamente o som, a partir do trânsito das  vibrações sonoras externas pelo fluido uterino. 

Esse processo não apenas promove o reconhecimento, mas também a memorização de sons que serão levados para a vida inteira. A audição é um sentido essencial para nos dar a percepção de distância. 

O interessante é que apenas um ouvido não daria conta de determinar tais distâncias com exatidão. É por isso que possuímos dois ouvidos: essa audição binaural é o que nos permite detectar distâncias e as direções de uma fonte sonora.

Som e sensação

Alguns fatores impactam a relação entre o som e a sensação que ele nos provoca. Um deles é a intensidade do primeiro. Cada pessoa tem uma sensibilidade única para a intensidade do som e isso faz com que elas respondam de formas diferentes a um mesmo estímulo auditivo. 

Isso é muito simples de se perceber no cotidiano: a televisão ligada na sala em determinado volume pode estar ótimo para uma pessoa, mas desconfortável para outra. Outro fator importante é a duração. 

Via de regra, a sonoridade aumenta até um valor crítico entre 50 e 400 microssegundos. A partir disso, a tendência é que ela diminua ligeiramente. 

Muitas vezes, uma sonoridade pode começar a provocar incômodo quando a duração é prolongada no tempo, por exemplo:

  • O barulho de um martelo batendo contra a parede;
  • Uma furadeira ligada;
  • Um aspirador de pó;
  • Ferramentas que emitem muitos ruídos.

Se isso ocorrer por alguns segundos, o incômodo não é grande se comparado ao mesmo fenômeno com duração de 30 minutos. A previsibilidade de um som também tem um impacto direto na forma como o percebemos. 

Sons inesperados costumam provocar um susto e desconforto inicial. Se nós já esperamos que ele vá ocorrer, essa sensação é menor, mesmo que a sonoridade seja exatamente a mesma.

Texto: Gustavo Marques

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